Nos primeiros dez dias de 2026, o Paraná já contabiliza dois tornados. O primeiro foi em Mercedes, na região Oeste, em 1º de janeiro. O mais recente foi neste sábado (10), em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Danificou cerca de 350 casas e deixou dois feridos.
Confirmado pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), que alcançou classificação F2, com ventos de até 180 km/h, o tornado é resultado de fatores naturais: posição geográfica, e clima. Em novembro do ano passado, um tornado F4 devastou a cidade de Rio Bonito do Iguaçu, na região Centro-Sul do Estado. Mas, afinal, o Paraná entrou na rota dos tornados?
O consultor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Fernando Mendonça, afirma que o Sul o Brasil, onde está o Paraná, fica geograficamente localizado em uma área considerada o segundo maior corredor do mundo para a ocorrência de ventos extremos, como ciclones, furacões e tornados. O primeiro fica na região central dos Estados Unidos.

Foto: João Frigério- Bem Paraná
“O Paraná está em uma área geográfica de ocorrência de ventos extremos, sobretudo ao longo das calhas dos rios Iguaçu e Paraná, além da foz, no Oeste do Paraná, Oeste Catarinense, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul”, explica Mendonça que é geógrafo e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR). As regiões apontadas são mais planas e extensas. Por isso, mais propícias a esses fenômenos. São locais planos, em que o vento consegue atingir maior velocidade, resultando em movimentos turbilhonado e espiralado, que causam ciclones e furacões.
“Já, os tornados são muito menores e atuam em pequenas localidades, como este que ocorreu em São José dos Pinhais. O fator mais expressivo que leva a entender ou acreditar que aumentou este tipo de fenômeno no Paraná tem a ver com relações climáticas e meteorológicas globais,” afirma Mendonça.
O ano de 2025, de acordo com o consultor, registrou o maior aumento da temperatura da água dos oceanos. Ele ressalta que as águas dos oceanos Pacífico e Atlântico Sul não resfriaram na passagem do ano de 2025 para 2026. “A gente está num momento ainda de dias muito quentes e a água marinha ainda está muito aquecida. O que faz com que aumente a disponibilidade de energia na atmosfera e os ventos circulem cada vez mais velozes, formando ciclones e tornados”, explica.
Mendonça ressalta que, particularmente em São José dos Pinhais, houve uma reação térmica, entre o choque de ar frio e quente. Nos dias anteriores, houve uma queda expressiva de temperatura, na quarta, quinta e na sexta. Os dias amanheceram com temperaturas mais baixas que as comuns para a estação do ano, o verão.
Esse resfriamento foi resultado da entrada de uma massa de ar frio, que criou uma bolha de ar, circundada por uma grande massa de ar quente, comum a essa época do ano, provocando o choque térmico. “Esse choque térmico entre ar quente e ar frio, o aquecimento dos oceanos, registrados nos últimos anos, vem registrando mais ciclones, tempestades e tornados, como esse dede sábado”. Mendonça aponta ainda questões regionais, como o desmatamento e a aquecimento do ar por atividades humanas.
Tornado impactou 1.200 pessoas em São José dos Pinhais
O tornado que atingiu o bairro Guatupê, em São José dos Pinhais, no fim da tarde de sábado (10), foi classificado pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) como de categoria F2 na escala Fujita, que vai até 5. O trabalho do Simepar concluiu que, dentro da escala Fujita, o tornado pode ser categorizado como F2, que tem ventos entre 180 km/h e 253 km/h. Ele atingiu os valores mais baixos desta categoria, mas ainda assim causou danos expressivos. Duas pessoas ficaram feridas e 350 casas foram atingidas, impactando 1.200 pessoas.
Como comparação, o tornado que atingiu o município de Rio Bonito do Iguaçu, no Sudoeste, em novembro, foi classificado como F4, na penúltima lista de intensidade da Escala Fujita. A análise das equipes de geointeligência e de meteorologia da instituição foi encerrada no início da tarde de ontem.
A Defesa Civil Estadual encaminhou na manhã de ontem uma carga de 2,6 mil telhas para auxiliar os moradores do bairro Guatupê, em São José dos Pinhais. Antes, a Defesa Civil do Paraná já havia enviado 310 metros de lona para ajudar os moradores atingidos pelo tornado
Os moradores de duas residências ficaram desalojados, indo para a casa de familiares. Duas pessoas tiveram ferimentos leves durante o evento e foram encaminhadas para as unidades de atendimento em saúde.
Além dos danos às edificações, o tornado provocou queda de árvores e problemas na rede e distribuição de energia elétrica, exigindo a atuação conjunta de diversos órgãos. As ações de resposta envolveram a Defesa Civil municipal, o Corpo de Bombeiros Militar, além do da equipe regional da Defesa Civil Estadual, que prestou apoio técnico às equipes locais.
“Foi um tornado relativamente estreito, pequeno em extensão horizontal, mas que provocou danos significativos aqui na região. Em alguns momentos a nuvem funil tocava o solo, sua circulação interagia com o solo configurando o tornado, e em outros momentos ela subia e o dano não era identificado. Ou seja, os danos foram pontuais”, detalhou Leonardo meteorologista do Simepar.
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