A ordenação de um viúvo de 74 anos chamou a atenção e emocionou fiéis durante a conclusão do Ano Santo na Diocese de Apucarana, no Norte do Paraná. Henrique Benevenuto de Souza, psicólogo, professor e viúvo, foi ordenado padre no dia 27 de Dezembro na Catedral Basílica Nossa Senhora de Lourdes, tornando-se um símbolo de perseverança, fé e vocação tardia.
A celebração foi presidida pelo bispo de Apucarana, dom Carlos José de Oliveira, e contou ainda com a ordenação de outros quatro sacerdotes. Para dom Carlos, a ordenação de Henrique representa “um sinal concreto de que não há idade ou condição que impeça alguém de servir a Jesus Cristo”.
Henrique acompanhou praticamente toda a história da diocese, fundada em 1965. A vocação surgiu ainda na infância, aos cinco anos, quando viu o irmão mais velho ingressar no seminário. Aos 16 anos, ele próprio entrou para o seminário de Apucarana, onde permaneceu por seis anos, com idas e vindas. Durante esse período, conheceu Teresinha Prada de Oliveira, com quem se casou e teve dois filhos.
Mesmo após o casamento, Henrique nunca se afastou da vida eclesial. Lecionou por muitos anos no seminário, manteve convivência constante com padres e seminaristas e cultivou uma rotina profundamente ligada à Igreja. A esposa, segundo ele, sempre reforçava a importância de rezar pelas vocações sacerdotais.
Após a morte de Teresinha, há quatro anos, Henrique recebeu um convite do bispo para ingressar no diaconato permanente. Um ano depois, surgiu o discernimento definitivo para o sacerdócio. O pedido foi aprovado por unanimidade pelo conselho diocesano.
Durante a ordenação, Henrique destacou que sua vocação não nasceu com a viuvez, mas foi sendo construída ao longo de toda a vida. “A vocação é um mistério. A gente não questiona, aceita e vai”, afirmou.
Além de Henrique Benevenuto de Souza, também foram ordenados os padres Gabriel Fidelis da Silva, João Vitor Oliveira dos Santos, Mateus Fiuza e Raphael Lemes Rodrigues Pavanelli. A diocese ressaltou que as ordenações são fruto da oração da comunidade e do trabalho vocacional desenvolvido ao longo dos anos.
A história do novo sacerdote reforça a mensagem de que a fé não tem prazo de validade e que o chamado pode se concretizar mesmo depois de uma vida inteira dedicada a outros caminhos, mas sempre guiada pela espiritualidade.
Catve